18 de Fevereiro de 2011. Um dia normal. Uma ida rotineira às aulas, um almoço entre amigas e um fim de tarde perfeito. A habitual ida à escola de dança. Ensaios, ensaios, ensaios. Contudo, esse dia, igual a todos os outros, é composto por mais uma surpresa – a ida à Companhia Portuguesa de Bailado Contemporâneo (CPBC). Desde que tinha começado a minha formação enquanto bailarina, nunca tinha visto um bailado e achava que esta era a oportunidade para o fazer. As expectativas eram altas. E não podia ter ficado mais surpreendida com o que vi.
Na plateia sentia-se o esforço dos bailarinos em transmitir os ideais do coreógrafo. Posso garantir que se sentia. A originalidade era imensa e o final era algo pelo qual não ansiava, pois sabia que tinha que acordar para a realidade.
E foi então que me apercebi. Lembro-me de, antes de ir ver o bailado, ler notícias sobre o aumento de cinco milhões de euros anuais no Orçamento do Ministério da Cultura. Dei por mim a pensar, “mas onde andam esses euros?” A verdade, e não o posso negar, é que o espectáculo a que assisti do CPBC estava, de facto, muito bem conseguido. Mas isso, posso dizer, é a excepção. O que acontece no nosso país é que os apoios dados à dança são escassos. É raro ouvir falar em companhias de dança em Portugal, até porque não há muitas. Então, a minha conclusão lógica foi, se a dança não é tão reconhecida no nosso país, como é o teatro ou a música, vamos aproveitar estes cinco milhões de euros para apostar no seu desenvolvimento.
Claro, tal não aconteceu. A meu ver, Gabriela Canavilhas, a nossa querida Ministra da Cultura, decidiu ser mais importante apostar no teatro e na exportação da música portuguesa...outra vez.
A verdade é que sempre soube que Portugal era um país cuja cultura parece não interessar aos seus cidadãos. Talvez seja altura de mudar. Já que nos encontramos num momento tão difícil economicamente, podíamos ao menos apreciar um pouco de arte. O meu bilhete foi apenas dez euros - e garanto-vos, não foi gasto em vão. O mesmo não posso dizer acerca dos cinco milhões de euros para Orçamento do Ministério da Cultura.
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